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Vaya Con Dios: o novo álbum e a nova vida de Dani Klein, a solo e em francês.
VAYA COM DIOS - ‘COMME ON EST VENU’
O novo álbum e a nova vida de Dani Klein, a solo e em francês!
Nas lojas a 29 de Março!
Participação de Toots Thielemans e Philip Catherine

VAYA CON DIOS ‘COMME ON EST VENU’
Site oficial * Myspace * iTunes

1. Les Voiliers Sauvages de Nos Vies
2. Matelots
3. A En Mourir Pas
4. Vingt Ans
5. Pauvre Rutebeuf
6. La Pirogue de L’Exode
7. Il Suffisait d’y Croyre
8. Comme On Est Venu
9. Il Restera Toujours (with Toots Thielemans)
10. Pauvre Diable
11. Le Compte à Rebours
12. La Vie C’est Pas Du Gâteau (with Philip Catherine)
13. Charly’s Song


* * * * *

BIOGRAFIA
A primeira vez que ela cantou num palco foi num musical sobre Jacques Brel. Agora, 25 anos mais tarde, Dani Klein, a voz dos Vaya Con Dios, vai finalmente lançar o seu álbum a solo, cantado em francês.

É um risco que a própria afirmou que nunca iria correr. A cantora sorri quando se lembra que, em certa ocasião, disse a um jornalista que as suas canções foram quase todas compostas em inglês porque não queria competir com os grandes compositores franceses. Mas após dois anos de uma colaboração continua com músicos de topo e ao acordar a meio da noite para escrever aquela palavra certa, Comme on est venu… é um disco pronto a demonstrar que uma voz poderosa, repleta de emoção e em conjunção com lirismo poético, é capaz de levar a música muito além das fronteiras linguísticas.

Foi há mais de 20 anos atrás que Dani Klein, Dirk Schoufs e Willy Lambregt apresentaram o seu álbum de estreia do seu trio de blues cigano, conhecido como Vaya Con Dios. Os especialistas do sector e até mesmo alguns amigos disseram aos elementos da banda que nunca iriam chegar longe: a sonoridade acústica era demasiado difícil de rotular, muito difícil de publicitar.

A banda era decididamente eclética: uma mistura de música lounge e blues, pop com um toque latino e soul de Memphis. Mas desde o primeiro single de sucesso da banda, Just a Friend of Mine, a banda tornou-se numa referência musical na Bélgica. Dois anos mais tarde, com lançamento do segundo álbum, Night Owls, a banda conquistou fama internacional. Os fãs da música que ansiavam por batidas soul após o movimento New Wave marcado pelos sintetizadores e que estava a dominar as ondas hertzianas, devorou a música da banda belga, criando êxitos tais como o ritmado Nah Neh Nah e o lento e sensual What’s a Woman, clássico da voz de Dani Klein.

Entre as digressões contínuas e as participações televisivas, as audiências continuaram a ser surpreendidos e a ficar deliciados por conhecer a belga cuja voz pensavam pertencer a uma senhora do blues do Sul dos EUA. Após duas décadas, a sua voz ainda tem a força necessária para causar impacto. Profunda, imprevisível e completamente confiante, a voz de Dani Klein perdura na nossa ente muito tempo depois de o CD ter terminado.

As pressões da fama são bem conhecidas e cedo a banda separou-se. Pouco tempo depois, Dirk morreu de forma trágica e Dani teve que se recompor e tomar uma decisão. Decidiu continuar com o nome Vaya Con Dios como artista a solo, como um tributo aos músicos que criaram a banda e a todos aqueles que contribuíram para a sua carreira continuar.

Foi nitidamente a decisão acertada. Mais três álbuns e duas compilações mais tarde, os Vaya Con Dios venderam mais de 10 milhões de álbuns e têm fãs espalhados pelo mundo inteiro. As letras compostas por Dani incluem os êxitos Puerto Rico, Heading for a Fall e Don’t Break My Heart são extremamente sentidas e poéticas, lamentando relações falhadas e negações teimosas.

Comme on est venu… continua essa tradição. Inspirando-se na sua paixão pelos grandes compositores franceses, como Jacques Brel, Georges Brassens e Barbara, Dani canta metaforicamente sobre o amor como um navio naufragado, sobre a beleza simples que alivia o desgosto, no tema título do disco, sobre a vida e a morte e todas as insignificâncias que surgem pelo meio.

“Estou um pouco a voltar às minhas raízes”, afirma Dani, que cresceu a ouvir os cantores franceses na rádio. “É como se estivesse a voltar às minhas primeiras influências.”

No entanto, quando era adolescente e dançava ao som de Otis Redding e Aretha Franklin nos clubes nocturnos de Bruxelas, Dani tornou-se viciada na música soul. “O R&B é sinónimo de vozes quentes e ritmos animados, ao passo que nas canções francesas, o que se destaca mesmo são as letras”, afirma. Desde então, a cantora tenta unir estes dois elementos e Comme on est venu… é a combinação perfeita destes dois estilos musicais.

A colaboração foi um dos factores chave para acertar nas letras. Dani participou na composição da maior parte dos temas do álbum, colaborando com um conjunto diversificado e talentoso de músicos como Manuel Istace (mais conhecido como Uman) e Luc Weisser (que compôs o êxito de Dani, Don’t Break My Heart), autor de quatro temas presentes no novo álbum.

“Gosto muito do material que Uman compõe e isso fez-me sentir segura”, explica Dani. Carmelo Prestigiacomo, com quem Dani já compôs temas no passado, tais como Time Flies, “ele vinha até à minha casa com todo o seu equipamento de gravação e começava a tocar qualquer coisa – tocava, tocava, tocava e eu começava a cantar. E depois, de repente, eu começava a escrever e a canção era criada instantaneamente. Mas com outros temas, por vezes chegava a demorar até mais de um ano apenas para encontrar a frase certa.” As canções francesas de Luc Weisser ficaram retidas na sua mente desde o primeiro momento que as ouviu, há 20 anos atrás, e agora era o momento certo para cantar algumas dessas canções.

Para além desta mistura de talento, duas lendas vivas também oriundas da Bélgica, participam no álbum Comme on est venu…: Toots Thielemans, o famoso nome do jazz, que há 50 anos atrás literalmente reinventou a interpretação da harmónica, participa no tema Il restera toujours, e o virtuoso da guitarra jazz Philip Catherine participa no tema La vie c’est pas du gâteau.

Outro tributo aos compositores franceses, dois dos temas presentes no álbum Comme on est venu… são versões do repertório do lendário cantor e compositor Leo Ferré. Um dos temas, Vingt ans, é uma das suas composições originais e o outro tema, Pauvre Rutebeuf é um poema do século XIII de Rutebeuf que Ferré passou para música.

O álbum encerra de forma grandiosa com um tema instrumental composto pelo pai de Dani, Charles Schoovaerts, que faleceu pouco tempo após de o tema ter sido gravado.

Todo este ecletismo pedia um grande produtor e o próprio filho de Dani Klein, Simon Schoovaerts (também conhecido como DJ Le Saint) aceitou a responsabilidade, trabalhando em proximidade com músicos de topo tais como William Lecomte, Salvatore La Rocca, Hans van Oosterhout, Red Gjeci, Tim De Jonghe, Francis Perez, Rony Verbiest e Bruno Castellucci, entre outros, para criar a sonoridade e atmosfera perfeitas para o projecto final. Tudo isto foi possibilitado através de uma relação profissional de proximidade com Daniel Léon, engenheiro no estúdio de Bruxelas, Igloo Studio.

Para além de compor e gravar com os músicos, Dani tem andado em digressão mundial com os mesmos há alguns anos. De Istambul a Helsínquia, Jerusalém a Montreal, São Petersburgo a Beirute e novamente de volta, os Vaya Con Dios já fizeram centenas de espectáculos em mais de 40 países, sendo que a sua maioria chegou a esgotar.

O concerto de estreia de apresentação do disco Comme on est venu foi a 19 de Janeiro 2010 em Bruxelas, no Théâtre Varia, seguindo-se uma digressão mundial ao estilo cabaré, com novos temas e a oportunidade de conhecer Dani Klein de forma completamente diferente.

Quem estiver familiarizado como repertório substancial dos Vaya Con Dios irá reparar que Comme on est venu… é um disco mais orquestral, com uma marcante secção de cordas e sopro, mas também integra uma sonoridade lounge actual.

“As pessoas que já ouviram este novo álbum dizem que ainda soa muito a Vaya Con Dios”, diz Dani a sorrir, “o que é bastante espectacular”.

Nem por isso. Pode-se mudar o idioma, mas é impossível mudar a convicção, a voz e a paixão de Dani Klein.

Lisa Bradshaw

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24.02.2010
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