“Enquanto estávamos a trabalhar no nosso álbum nestes últimos meses, conseguíamos sentir literalmente o quão forte e criativo o nosso trabalho estava a ficar e a alegria que estávamos a sentir enquanto trabalhávamos neste disco”, afirma Klaus Meine, líder dos SCORPIONS acerca do novo álbum da banda: STING IN THE TAIL. “Queremos terminar a extraordinária carreira dos SCORPIONS em alta. Estamos extremamente gratos pelo facto de ainda sentirmos a mesma paixão pela música que sentíamos no início.” “Por isso, a determinada altura”, acrescentou o guitarrista Matthias Jabs, “lembrámo-nos de terminar a nossa carreira com este álbum notável.” O guitarrista Rudolf Schenker afirmou: “A digressão de 3 anos e que passa por 5 continentes tem como objectivo ser estrondosa, queremos festejar com os nossos fãs e dizer adeus.” “Quando comecei, tinha muitos desejos”, disse Schenker. “É incrível, conquistei muito mais do que aquilo que sonhei.”
Os elementos básicos da música hard rock estão incorporados no ADN dos elementos desta banda alemã de hard rock, icónica e lendária. E com o álbum STING IN THE TAIL, os SCORPIONS conseguem redefinir a sua marca e construir um trabalho que, sendo bastante sólido, não só se assemelha às características do nosso tempo, como também está à frente do mesmo. Ninguém possui um plano para criar um álbum de sucesso. “No entanto, desta vez, concentrámo-nos apenas em encontrar o nosso ponto de partida”, afirma Rudolf Schenker. “Atitude é a palavra certa, o temperamento como um estereótipo para a cultura rock. “I’m driving out of town just follow my heart/I think I’m gonna be a rock ’n roll’ star/The Girls would go mad I’d give ‘em all I can give/If I had a cheap guitar and one dirty riff”--those are the lyrics for the title track “Sting In The Tail”, letras da autoria de Klaus Meine. “Temos uma sonoridade nova e simples no nosso novo álbum, apenas 100% Scorpions”, afirma Matthias Jabs.
Passaram 40 anos desde que os elementos da antiga formação dos SCORPIONS-- que na altura integravam Michael, irmão de Rudolf Schenker, e que mais tarde se veio a juntar à banda inglesa UFO-- conduziram a sua velha carrinha Volkswagen vermelha de um pequeno pub para outro, de um quintal para outro, na sua terra natal da baixa Saxónia, transportando o seu equipamento e dando espectáculos de rock. Cinco anos antes, na pequena localidade de Sarstedt, Rudolf Schenker tinha baptizado a banda. E desde o início, mesmo com uma constante mudança de alinhamento, a banda demonstrou ser bastante promissora. A banda tinha dois objectivos, quase apocalípticos: “Em primeiro lugar, vamos concentrar-nos nas letras em inglês porque, em segundo lugar, um dia vamos ser uma das maiores bandas rock do mundo.”
O resto pertence à história da música: Desde um prémio Echo para “Carreira” (2009) e “Melhor Banda Alemã” (1994), passando pelo “World Music Award” (1994)--não existem muitos prémios dignos de referência que os SCORPIONS ainda não tenham conquistado. É difícil enumerar todos os discos de ouro e platina conquistados pela banda. São em grande número, espalhados pelo mundo inteiro. E todos os anos, a banda recebe ainda mais. Olhando apenas para as vendas de discos, é possível constatar essa grandeza: ultrapassam a marca dos 100 milhões! Em retrospectiva, é fantástica a forma como a aparentemente normal combinação de ritmo, letras e melodias, em conjunto com o carisma da banda, deu origem a um êxito universal. Confiante e inequívoco. O baterista James Kottack tem razão quando afirma: “Se fores um extra-terrestre e estiveres a aterrar na Terra e perguntares ‘O que é o rock ‘n’ roll?’ – SCORPIONS será a resposta!”
Os feitos conquistados durante a carreira da banda construíram uma ponte entre o passado e o futuro: reuniram mais de 150 mil pessoas entre Manaus e Rio de Janeiro durante a sua última digressão pela América do Sul, esgotaram estádios na Grécia durante o Verão passado, encheram salas de espectáculos em Nova Iorque, Los Angeles, Tóquio e Mumbai, actuaram no espectáculo “Monsters Of Rock” com Alice Cooper e os Rasmus, como convidados especiais de Wladiwostock até Moscovo. Cantaram pela paz na fronteira entre as duas Coreias, porque uma das suas canções se assemelhava a uma banda sonora mundial para impedir a corrida ao armamento e um hino para a auto-destruição da Cortina de Ferro: o tema “Wind Of Change”. “É muito inspirador ver que, quando actuamos, muitos jovens estão a olhar para o palco, a cantar temas que foram escritos quando os próprios ainda não tinham nascido”, diz Klaus Meine.
O combustível da banda é a actuação ao vivo. “Penso que esse é o maior e mais importante argumento”, afirma Klaus Meine. “Os SCORPIONS são uma banda que desde o início viu que o seu lugar era em cima do palco, nos maiores palcos mundiais e nos maiores estádios e arenas.
Não passou muito tempo desde que a revista alemã Focus solicitou uma entrevista aos SCORPIONS, pouco tempo antes do seu concerto em Manhattan. O jornalista e um fotógrafo acompanharam a banda por Times Square. O jornalista pareceu estar surpreendido pelo facto da banda, mundialmente famosa, poder passar tranquilamente por Times Square sem causar nenhuma agitação. “Nova Iorque é assim”, afirma Rudolf Schenker. “Não é nada de especial o facto de uns músicos estarem a passear pela rua.” Foi então que apareceu a primeira pessoa a pedir um autógrafo, seguida de uma outra pessoa. Depois os fãs queriam tirar fotografias. O resultado: segundo o jornalista, foram precisos apenas 5 minutos para criar um engarrafamento em Times Square. O jornal alemão Der SPIEGEL escreveu: “Na Alemanha, muitas pessoas não acreditam ou não querem acreditar que os Scorpions oriundos de Hanover, fundados em 1965 como uma banda de escola, ainda são um grande êxito pelo mundo fora. Outro facto importante: Só no ano passo, a banda deu mais de 70 concertos em 27 países e não para apenas um grupo de centenas de fãs ferrenhos, mas sim para uma audiência total de cerca de 1 milhão de pessoas.”
Em 2009, Rudolf Schenker e Klaus Meine voltaram a criar a música e letras para um novo álbum. Gravaram-no nos seus próprios estúdios, Scorpions-Studio, em Schwarmstedt perto de Hanover e em Estocolmo, Suécia, país natal dos produtores Mikael Nord Andersson e Martin Hanson. Matthias Jabs: “É uma equipa bem oleada. São pessoas inteligentes, que se completam mutuamente a nível musical. Há muito tempo que não nos divertíamos tanto durante a produção de um disco. Todos partilharam tarefas. Mikael ficou mais responsável pelas guitarras e Martin pela parte vocal.”
Os produtores utilizaram as novas tecnologias como o Skype e o Twitter para se manterem em contacto enquanto estavam em digressão. O baixista Pawel Maciwoda afirma: “Convivi com o a banda durante 6 meses. Este é o meu terceiro disco com os Scorpions e foi uma oportunidade excelente, muito divertida.”
Sting In The Tail é provavelmente o álbum mais característico dos SCORPIONS. Talvez até o mais simpático e decididamente o mais genuíno. As pessoas, os fãs são fundamentais para este sucesso – sem limites de classes sociais, género ou idade. E esta autenticidade da base de fãs reflecte-se nos temas presentes em Sting In The Tail: desde o tema título até à maravilhosa balada rock, “Lorelei” (“Fala sobre uma lenda alemã, uma história muito conhecida. A lenda diz que quando se sobe o Reno e se passa por um determinado penhasco, alegadamente ouve-se o canto de Lorelei. Os barcos embatem nesse penhasco porque os comandantes ficam hipnotizados ao som do canto e esquecem tudo o resto. Lorelei representa as tentações que todos encontramos diariamente”) até “The Good Die Young”. Klaus Meine diz o seguinte sobre este tema: “É uma canção muito profunda. Fala sobre pessoas que se impõem pela defesa da paz e da liberdade. Nos tempos que correm e num mundo que se desiquilibra cada vez mais, tentamos passar esse sentimento para a música.”
Excerto da espectacular faixa “Raised On Rock”: “I was born in a hurricane/Nothing to lose and everything to gain/Ran before I walked/Reaching for the top/Out of control just like a runaway train.” Este é o primeiro verso do tema cujos fortes riffs de guitarra e batidas pulsantes são típicos da sonoridade dos SCORPIONS. Representa a carreira da banda. “É um tema que reflecte aquilo que é o núcleo de uma banda”, afirma Klaus Meine. A banda cresceu no universo do Rock ‘n’ Roll, uma paixão que ainda mexe com as pessoas e “que nos desafia a todos a criar novos mundos e a fazer sempre música. A música rock é o motivo pelo qual estamos a viver o nosso sonho.” No final de contas, é uma balada que se relaciona com uma das canções mais bem sucedidas na história dos SCORPIONS: “Sly”, três letras. E não é coincidência alguma o facto de estas três letras se referirem a “Still Loving You”: “She was born with a song in the air/In the summer of ‘85/The clouds just went and the day became so bright/A child of love angel like.”
Em Maio (2010), os SCORPIONS vão começar uma digressão mundial com o seu novo álbum. A digressão irá levá-los desde a Alemanha até 5 continentes, durante 3 anos. Será o projecto mais corajoso se não o maior alguma vez efectuado pela banda: centenas de espectáculos, centenas de milhares de fãs, inúmeras milhas no avião e autocarro de digressão.
“Get Your Sting And Blackout”—é o mote da banda. Permanece uma dúvida: será que a imensa aventura dos SCORPIONS valeu a pena? Matthias Jabs: “é uma sensação óptima ir iniciar brevemente a digressão mundial sabendo que, durante as últimas trinta décadas, conseguimo-nos tornar na banda de rock alemã mais bem sucedida de sempre. Aquilo que sinto em palco é simplesmente indescritível. Só esse momento faz tudo valer a pena.”
“A vida estragou-nos com mimos, pelo simples facto de até hoje conseguirmos estar a viver o nosso sonho”, afirma Klaus Meine. “Penso que conseguimos atingir muitos mais objectivos, ver mais locais do mundo, tocar em mais espectáculos e gravar muitos mais CDs, tal como tocar muito mais pessoas com a nossa música, do que alguma vez nos atrevemos a sonhar no início da nossa carreira. Os nossos sonhos concretizaram-se—muito mas muito para além do esperado.”
“No início desejávamos muita coisa”, diz Rudolf Schenker. “Imaginei-me a fazer parte de uma das 10 melhores bandas de rock do mundo. Até ao presente, já partilhámos o palco com os Aerosmith, KISS, Metallica, AC/DC e mais outras bandas pelas quais sentíamos um enorme, até mesmo com a Orquestra Filarmónica de Berlim. Agora, vamos iniciar uma das digressões mais espectaculares da nossa carreira. É de loucos, nunca pensei que durássemos tanto tempo. Consegui concretizar muito mais do que alguma vez imaginei.”
Desde a pequena localidade de Sarstedt até às suas instalações actuais em Schwarmstedt são 61 quilómetros para Norte, sempre a subir.
Quase uma vida.
Uma carreira mundial.